O Conselho de Ministros de Moçambique decidiu adiar o início do ano lectivo de 30 de janeiro para o dia 27 de fevereiro em todo o território nacional. A medida surge como resposta directa à crise humanitária e à destruição de infraestruturas causadas pelas intensas cheias que fustigam o país, impossibilitando o arranque das actividades escolares na data inicialmente prevista.
O balanço dos danos no sector da educação é alarmante: 401 unidades escolares foram fustigadas pelo mau tempo, resultando na destruição total de 281 salas de aula. O impacto directo estende-se a mais de 427 mil alunos e cerca de 9.300 professores. Adicionalmente, 80 escolas estão actualmente a servir de centros de acolhimento para as populações que perderam as suas casas, o que impede a utilização imediata destes espaços para fins pedagógicos.
Para além do sector educativo, as inundações já afectaram mais de 600 mil pessoas, provocando óbitos, dezenas de feridos e desaparecidos. O rasto de destruição inclui cerca de 4.100 casas (entre danos totais e parciais), 229 unidades sanitárias e mais de 1.300 quilómetros de estradas submersas, dificultando a mobilidade e o acesso a serviços básicos.
O Governo estima que serão necessários mais de 644 milhões de dólares para a reconstrução das infraestruturas destruídas em todo o país. O adiamento das aulas visa garantir a segurança de alunos e professores, bem como permitir que o Executivo mobilize recursos e reabilite as escolas minimamente funcionais antes do reinício das actividades lectivas.
