O ativista moçambicano Adriano Nuvunga publicou uma contundente "Carta Pública de Repúdio", expressando profunda indignação perante imagens de um antigo Presidente da República a festejar "em luxo", enquanto milhões de moçambicanos enfrentam miséria e desnutrição crónica.
Na carta datada de 19 de outubro de 2025, Nuvunga classifica o ato como um "ultraje moral" e um "claro sinal de desrespeito" num país cujo tecido social foi "dilacerado por décadas de má governação e corrupção". O ativista aponta diretamente à última década, sob a governação de Filipe Nyusi, como um período marcado por "decisões e omissões que empurraram vastos segmentos da população para a pobreza", através de "gestão opaca, clientelismo e tolerância à captura do Estado".
Nuvunga repudia o "exibicionismo de riqueza e conforto", considerando-o ofensivo para a memória dos que sofrem e para os profissionais que resistem em circunstâncias adversas. O ativista dirige-se ao atual Presidente da República (Daniel Chapo), exigindo que o "combate sério à corrupção" comece pela responsabilização daqueles cujas "políticas e acções degradaram o bem-estar colectivo". A retórica anticorrupção, defende, "vazia se não vier acompanhada de medidas concretas: investigações independentes, processos transparentes e a recuperação dos recursos desviados" para as necessidades básicas do povo.
Rejeitando "anestesia simbólica", Nuvunga afirma que Moçambique merece prioridade real: "comida na mesa, escolas decentes, serviços de saúde funcionais e instituições que sirvam o interesse público". Conclui com um apelo às "forças vivas da Nação" para que não normalizem o "escárnio", transformando a indignação em "mobilização cívica organizada" por reformas e em solidariedade com as vítimas da "política de saque".