A tensão interna na Renamo, a maior força da oposição em Moçambique, atingiu um novo pico. Um grupo de desmobilizados do partido, organizado sob a Comissão Nacional de Gestão da Renamo, anunciou a realização de um encontro nacional para a última semana de janeiro de 2026, com o objetivo explícito de exigir a saída imediata do atual presidente, Ossufo Momade.
Pressão por um Congresso Extraordinário
A contestação é liderada por figuras como Edgar Silva, que defende a urgência de um congresso extraordinário para "reconfigurar a direção" do partido e resolver a profunda crise de liderança.
“É a primeira vez que nos vamos sentar todos juntos para delinear ações que permitam... o congresso que ponha termo a esta clivagem interna. Queremos, fundamentalmente, a remoção do presidente Ossufo Momade”, afirmou Edgar Silva.
As Razões do Descontentamento
O grupo alega que a gestão de Momade tem sido ineficaz e sem diretrizes claras para o futuro da organização. Os principais pontos de discórdia incluem:
Falta de Objetividade: Críticas às deliberações do último Conselho Nacional em Nampula.
Recusa em Sair: Momade declarou que só abandonará a política no fim do mandato, decisão que as alas críticas rejeitam por comprometer a preparação para as próximas eleições.
Ocupação de Escritórios e Ordem Pública
A clivagem é visível no terreno: na província de Maputo, o delegado político Samuel Mandlate revelou que os membros oficiais estão a trabalhar fora dos escritórios habituais, uma vez que estes foram ocupados pelos desmobilizados.
Perante este cenário, o Governo, através do Secretário de Estado Henriques Bongece, garantiu estar atento para assegurar a ordem e a tranquilidade públicas perante as movimentações internas do partido.
