A presença do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, na cerimónia de tomada de posse de Samia Suluhu Hassan, reeleita Presidente da Tanzânia, gerou fortes críticas da oposição em Moçambique.
Chapo defendeu a sua participação no evento, destacando os laços históricos entre os dois países. No entanto, para os partidos opositores, a decisão foi “lamentável” e “pouco sensível”, num momento em que o processo eleitoral tanzaniano é alvo de sérias contestações internas e internacionais.
Elísio Muaquina, deputado do PODEMOS, afirmou que “tendo em conta aquilo que caracterizou o processo eleitoral em Moçambique, os contornos que teve, aqui dá para perceber que um é filho do outro.” As bancadas da RENAMO e do MDM também manifestaram desagrado, sublinhando que a eleição na Tanzânia foi marcada por violência e exclusão política.
Samia Suluhu Hassan tomou posse na segunda-feira, apesar dos relatos de repressão violenta contra manifestantes da oposição, que contestavam os resultados eleitorais. O partido Chadema estima que pelo menos 800 pessoas terão sido mortas durante os confrontos, após uma repressão severa das forças de segurança.
Com uma população de 68 milhões, a Tanzânia realizou as eleições num clima de tensão, sem a participação de vários candidatos opositores que foram presos ou desqualificados.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “grande preocupação” e exigiu uma investigação independente sobre as alegações de uso excessivo da força. A União Africana, embora tenha felicitado Samia Suluhu pela reeleição, lamentou “profundamente as vidas perdidas”. Já a União Europeia considerou “credíveis” os relatos de assassinatos e abusos cometidos durante a repressão.
Para a oposição moçambicana, a presença de Chapo num ato marcado por sangue e controvérsia “mancha a imagem de Moçambique” e “demonstra cumplicidade com regimes autoritários africanos”.
